quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Eu e mais nada

Tenho visto com o passar do tempo que as pessoas estão vivendo cada vez mais em seu próprio mundo. Hoje se nota mais isso do que se notava há 5 anos. A família já não é mais a mesma nos nossos dias, e, pouco importa se estiver ou não reunida na mesa para se servir o jantar. Quem sente mais essa diferença, são as mães, principalmente quando notam que suas filhas têm mais diálogo no MSN que com elas. Os papais se esforçam para aprender os games que a criançada adora, assim, eles conseguem melhorar o diálogo com seus guris, porém, é bem provável que daqui a 10 anos, nada se pense mais, nem se possa fazer para amenizar esse impacto que a industria cultural causou, causa e causará na sociedade.
A cada dia que se passa, novas estratégias são lançadas para prender a atenção das pessoas, e a relação homem-máquina, só tende a tornar-se cada e cada vez mais intensa. Para Lúcia Santaella, a maior autoridade em semiótica do Brasil (ciência que estuda toda e qualquer tipo de linguagem), “Se antes a tecnologia ajudaria o homem para atingir seus objetivos, agora ela faz parte do homem, não só como extensões do corpo, mas como partes instrínsecas. Não é preciso esperar pelo ciborgue de carne misturada com chips. O que seria de você sem seu celular,seu computador, sua câmera digital?”
Quem não está ligado em tanta tecnologia, na maioria das veses é excluído de forma cruel de determinados grupos, o sentir, não tem mais valor algum, uma pessoa que não se faz ideia de quem seja, a milhas e milhas distante, muitas veses recebe mais confiança do que uma pessoa que educou e compartilhou experiências. Não adianta fingir que tudo é normal. É preciso sim, olhar com mais cautela para esses problemas da nossa sociedade, afinal, é assim que conseguimos nos situar dentro desse filme.

Márcio Araújo