domingo, 9 de dezembro de 2007
O que ele diz?
Na era da Internet, da revolução tecnocientífica, muitas pessoas perderam a sensibilidade. Sensibilidade de olhar o quanto é belo o céu estrelado, a lua quando em sua fase cheia, ou mesmo de verem uma pétala de rosa no chão, e imaginar: Se essa pétala é tão linda, o quando não seria bela, a rosa inteira!No meio desse caos que é a vida da maioria dos brasileiros, eis uma questão bem comum no cotidiano: Quando você ouve o seu despertador tocar, logo o seu cérebro ativa o que vou chamar aqui de "impulso anti-soneca" e você bem que tenta colocar mais uns dez minutos, depois mais dez, e quando chega a hora que ele (cérebro) dispara o seu alarme próprio, você se da conta de que é impossível adiar aquele momento. Você geralmente toma seu banho, escova os dentes, toma seu café da manhã, sem mesmo perceber. Já faz tudo automaticamente. E talvez com toda sua pressa ainda não tenha observado na rua, as muitas situações que acontecem que poderiam ser o ponto de partida para uma reflexão sobre a vida.Num dia como outro qualquer, depois de fazer tudo isso que foi dito anteriormente, eu estava indo para a faculdade, e lá estava um senhor, que tinha barbas bem longas, e aparentava ter uma idade já bem avançada. Sentado sobre uma caixa de madeira, ele batia com seu cajado no chão o tempo todo. Nada o cansava. Para todos que passavam na rua ele falava alguma coisa, algo que da distância em que eu me encontrava, não dava para ouvir direito. Mas falava.No outro dia a mesma situação se repetia. Passou-se quase um ano, e tive curiosidade de saber o que tanto ele falava. Confesso que cheguei a pensar que ele pedia esmolas. Porém, quando tomei a iniciativa de passar bem perto para saber, vi que estava errado. Sabe-se lá a quanto tempo ele repetia aquele gesto. Nada mais fazia do que saúdar a todos os que ali passavam, com palavras bonitas, de otimismo, de evangelização. Muitos desviavam o caminho pensando que ele iria pedir-lhes uma esmola. Resolvi chegar mais perto, ousei perguntar porque ele fazia aquilo. Ele foi catégorico em responder, "Eu mim sinto bem fazeno isso, num tenho nada pra mode fazer in casa, venho aqui pregá uma palavra pras pessoa melhora o dia".Quantas vezes nos sobra tempo e nós nos apropriamos dele. de forma egoísta? sim! Aliás, temos medo de desconhecidos. Há quem diga que se for abordado por outra pessoa, mesmo que com uma mensagem legal, fugiria, pois tinha medo de ser assaltado. Nos acostumamos a estar cada vez mais preocupado conosco que com o nosso proximo. Não foi o caso daquele senhor, que mesmo com todos os problemas da sua idade, não desistiu até hoje. Continua ajudando pessoas e mais pessoas. Mostrando que nem tudo está perdido. Que podemos transformar os dias mais cinzentos em manhãs de setembro.